Ao longe, a lua em quarto crescente
anuncia, vermelha como lágrimas, uma nova era.
O vento sopra forte sobre a colina seca,
onde apenas a luz frágil de uma velha gambiarra
e velas vacilantes resistem ao frio e à solidão.
O futuro avança sobre o presente
como se arrancasse, folha por folha,
tudo o que construímos no passado.
Vem do norte da África, vem do Médio Oriente.
É uma mudança de tempos,
o desmoronar de mundos:
o fim das democracias, da razão,
do sentimentalismo, das artes, da poesia,
da melancolia, do amor
e do próprio livre-arbítrio.
A cidade ao longe treme,
como se estivesse incendiada.
Soam vozes, sirenes, chamadas à oração,
palavras repetidas que ecoam na distância.
Não lhes compreendo a língua,
mas sinto o desespero, o grito da invasão,
o relógio a marcar os últimos minutos.
Um tempo obscurecido se levanta,
onde reinam apenas outros.
Na transcendência deste dia,
resta-me o coração sincero entregue a Cristo,
na esperança da Sua volta e do arrebatamento.
Deus é bom...
mas até quando?
Miguel Westerberg
19 de setembro de 2026
ipubi Pernambuco, Brasil
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